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1. INTRODUÇÃO

No dia vinte e quatro de agosto deste ano de 2012, norteados pela sede de conhecimento artístico de nossa professora, nós, alunos do Curso Profuncionário – Técnico em Multimeios Didáticos Turma B do Colégio Julia Wanderley, dirigimo-nos para o Museu Oscar Niemeyer em Curitiba.

Nesse local, poderíamos apreciar algumas das obras de arte criadas por Amadeu Modigliani, Poty Lazzarotto, Dorothea Wiedemann, João Figueiras Lima, Sergio Camargo, Iberê Camargo, Torres Garcia, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Letícia Marquez, a paranaense Helena Wong, entre outros.

No período compreendido entre dez da manhã e meio dia e trinta pudemos percorrer as salas e corredores do Museu, absorvendo o brilhantismo de tantos artistas reunidos em um mesmo local.

Neste trabalho, será mostrado o que foi observado durante a aula de campo e o que aprendemos durante nossas pesquisas.

2. CARACTERIZAÇÃO

Museu Oscar Niemeyer: A história do Museu Oscar Niemeyer teve início em 2002, quando o prédio principal deixou de ser sede de secretarias de Estado para se transformar em museu. O prédio, antes chamado de Edifício Presidente Humberto Castelo Branco, passou por adaptações e ganhou um anexo, popularmente chamado de Olho. Ambos os projetos são de autoria do reconhecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

As obras necessárias, com custo estimado em US$ 14 milhões, foram realizadas com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Inicialmente batizado de Novo Museu, em 22 de novembro de 2002, o complexo foi inaugurado. Dedicado à exposição de Artes Visuais, Arquitetura e Design, atualmente, o Museu possui 17.744,64 mil metros quadrados de área expositiva potencial.

O acervo inicial surgiu com as obras do Museu de Arte do Paraná (MAP) e com o acervo do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado). Em sua coleção figuram importantes artistas paranaenses e nacionais de vários movimentos.

Composto por aproximadamente 3 mil peças, o acervo guarda obras dos paranaenses Alfredo Andersen, Theodoro De Bona, Miguel Bakun, Guido Viaro e Helena Wong, além de Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Ianelli e Caribé, entre outros.

2.1 – Histórico do Museu

Localizado no Centro Cívico de Curitiba, cuja capital abrange cerca de 2 milhões de habitantes, o Museu Oscar Niemeyer tem como principal missão o de ser um espaço expositivo de excelência e referência no Brasil e no exterior. Com 17.744,64 mil metros quadrados de área expositiva potencial, o Museu está instalado em um complexo de 144 mil metros quadrados de área.

Tendo ao fundo a massa verde do Bosque do Papa, o Museu, com mais de 35 mil metros quadrados de área construída, é uma obra de arte em si mesmo. Niemeyer utiliza no prédio a tecnologia do concreto protendido, que permite a criação de grandes vãos livres entre as colunas e a construção de grandes balanços.

Nesta obra, mais uma vez, o traço sinuoso de Niemeyer aplicado ao concreto ganha a leveza de linhas finas. Na simplificação de sua complexa arquitetura, o maior mestre da Arquitetura Moderna, ainda vivo, consegue, através de suas obras, mostrar toda a alma do povo brasileiro. Com liberdade formal e arrojo estrutural, ele explora ao máximo as possibilidades formais do concreto.

Um exemplo de como a arte expressa na arquitetura fez com que espaços construídos em épocas distintas pudessem conviver em perfeita harmonia e comunhão. Rampas em curvas, na área externa, e um túnel – acessado pelo subsolo do edifício principal – faz o elo entre o passado e o presente, o Moderno e o Contemporâneo. São as características que tornam Niemeyer o escultor dos espaços urbanos livres, elevando-o à condição de artista.

Anexo: Um olhar de concreto e vidro

Instalado à frente do edifício principal e internamente ligado a ele por um túnel, o anexo de 30 metros de altura – do chão ao vértice da construção – imprimiu nova identidade ao complexo. Projetado em 2001 e construído em 2002, numa linguagem contemporânea, o anexo, reconhecido hoje pela denominação de Olho, é um dos exemplos das obras-primas desenhadas pelo arquiteto brasileiro.

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ) é outra de suas obras de arte arquitetônicas. Nas duas edificações, ele faz com que a base sirva de pedestal para uma escultura de concreto, a qual pesando toneladas parece levitar.

O resultado é lúdico. O grande Olho de concreto e vidro, ao mesmo tempo em que debruça seu olhar de dupla face para a cidade também observa a si mesmo, refletindo o passado. Um olhar que parece flutuar à frente do prédio que deu origem ao Museu.

Quatro pavimentos compõem o edifício do Olho, que pousa sobre uma base quadrangular. No salão principal, localizado na parte convexa da estrutura, são destinados cerca de 1,6 mil metros quadrados a exposições, cujo ponto mais alto atinge um pé-direito de 12 metros.

Em seu oposto, na parte côncava, há uma área de apoio e infra-estrutura para bar e coquetéis. A área não é utilizada para esse fim por ser vetado o consumo de alimentos e bebidas em áreas expositivas.

Em dezembro de 2004, para ampliar o potencial expositivo do prédio, foram inauguradas três novas salas expositivas. Elas são destinadas exclusivamente para a exposição de fotografias e hoje compõem a Torre da Fotografia.

As novas salas estão localizadas nos três pavimentos (térreo, 1o e 2º pavimentos) da base do anexo. As cerâmicas que revestem a base, que sustentam o Olho, foram especialmente pintadas com desenhos criados pelo próprio Niemeyer. No exterior, os 316 metros de rampas fazem a ligação entre passado e presente.

Prédio Principal: De símbolo da máquina estatal a espaço de arte

O arquiteto Oscar Niemeyer projetou, em 1967, o que hoje é o edifício principal do Museu. Em 1978, o prédio chamado de Edifício Presidente Humberto Castelo Branco, foi inaugurado. Integrado ao complexo do Centro Cívico, com projeto paisagístico de Burle Marx, parcialmente executado, o projeto original previa a instalação do Instituto de Educação do Paraná.

Por razões políticas, ao ser concluído, o prédio foi ocupado pela administração estadual. Ao observar os estudos preliminares do arquiteto para o então Instituto de Educação, já se encontrará nele uma estrutura semelhante ao anexo, em menor escala, mais deslocado para a direita do prédio.

Em 2001, 23 anos depois de ser inaugurado, autoridades do Estado decidiram transformar a generosa área em um museu. O edifício foi adaptado e transformado, sendo projetadas reformas e ajustes estruturais, com renovação das redes hidráulica, elétrica e de informática, entre outras.

Com isto, as divisórias da antiga sede administrativa cederam espaço aos amplos corredores, com cerca de 60 metros de comprimento, originalmente existentes. Hoje, esses corredores constituem as três salas expositivas centrais no primeiro piso do prédio principal do Museu.

Com parte das adaptações realizadas, nasceu a base do Museu, complementado pelo Olho. Tanto a reforma do prédio antigo, como a construção do anexo obedeceram à “mesma audácia estrutural que distinguia a construção inicial”, segundo registro do próprio Niemeyer.

A edificação

Distribuído por três pisos –subsolo, térreo e primeiro pavimento-, o edifício, de estilo moderno, é totalmente estruturado a partir de linhas retas. A estrutura do prédio é de concreto protendido, que permite vencer os grandes vãos da edificação com um enorme arrojo estrutural para a época em que foi projetado.

O prédio apresenta um bloco elevado sustentado por vigas de concreto, que servem de apoio à laje do térreo e ao primeiro piso, onde ocorre a maioria das exposições. Dos 26.230,90 mil metros quadrados de área construída, o prédio principal tem reservado a exposições nada menos do que 16.644,00 mil metros quadrados.

Além das salas expositivas, a estrutura também dispõe de um auditório, com capacidade para 372 pessoas sentadas, uma loja com produtos personalizados do Museu e um ambiente para café, em execução.

O complexo conta ainda com 316 vagas nos dois estacionamentos térreos, um frontal – acessado pela Rua Marechal Hermes – e outro localizado na parte de trás – com acesso pela Rua Manoel Eufrásio.

Térreo

O piso térreo possui uma permeabilidade visual e volumétrica na qual Niemeyer utilizou princípios da escola modernista. Com os pilotis, o arquiteto conseguiu dar leveza visual ao prédio com extrema elegância.

Nesse piso, se encontram dois volumes envidraçados, localizados nas extremidades. Na extremidade Norte, está a bilheteria, a loja e as futuras instalações do café. Na parte Sul, localiza-se a entrada do Museu e o espaço para a montagem de um restaurante, freqüentemente utilizado para recepções em vernissages e eventos.

Primeiro Piso

Com nove salas expositivas, o primeiro piso abriga a maioria das exposições. O ambiente pode ser acessado por meio de escadas, rampas e elevador, facilitando o trânsito de portadores de deficiências.

As nove salas possuem em toda a sua extensão uma área de luz, utilizada com bastante flexibilidade. Em algumas exposições já serviram como jardins internos temporários, como espaços cenográficos e até como espaço expositivo.

Subsolo

De características semelhantes às obras assinadas por Niemeyer em Brasília, o subsolo se constitui em outro importante espaço expositivo. Neste nível se encontra a exposição permanente de projetos, fotos e maquetes de obras do arquiteto, batizado de Espaço Niemeyer.

Também é onde estão instaladas as salas administrativas, o Espaço da Ação Educativa, onde são realizados cursos e oficinas, e o Pátio das Esculturas. O Pátio abriga a exposição permanente de algumas obras que pertencem ao acervo do Museu. As obras são assinadas por Amélia Toledo, Ângelo Venosa, Bruno Giorgi, Emanoel Araújo, Erbo Stenzel, Marcos Coelho Benjamin, Sérvulo Esmeraldo e Tomie Ohtake.

A Reserva Técnica se encontra no mesmo nível. O setor é equipado com móveis especiais para a adequada acomodação da coleção do acervo como trainéis, mapotecas e estantes deslizantes. O setor foi montado em 2004.

Nessa área técnica, está sendo instalado o Laboratório de Conservação e Restauro. O laboratório também está sendo estruturado com equipamentos adequados para serem manipulados por mão-de-obra especializada no restauro de obras de arte.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 – Locais

3.1.1 – Exposição Amedeo Modigliani

A exposição “Modigliani – Imagens de uma vida” está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer (MON). A mostra já passou pelo Palácio Anchieta, em Vitória (ES), Museu Nacional de Belas Artes (RJ), Museu de Arte de São Paulo (MASP) e agora chega ao MON, onde permanece até o dia 30 de setembro de 2012. Este projeto faz parte do Momento Itália Brasil, organizado pela Embaixada da Itália em Brasília com apoio do Consulado Geral da Itália em Curitiba.

“Modigliani – Imagens de uma vida” reúne 59 peças, entre desenhos, pinturas, esculturas em bronze e documentação pessoal, além de obras de outros artistas que conviveram com Modigliani no início do século 20.

Nessa mostra, com curadoria internacional de Christian Parisot, presidente do Modigliani Institut Archives Légalés Paris-Roma, e co-curadoria, no Brasil, de Olívio Guedes, diretor da Casa Modigliani (SP), há a ligação entre vida e obra de Amedeo Modigliani. A vida, a partir do diálogo do artista com as obras de seus amigos, que o acompanharam em seus breves, mas intensos, 36 anos. E a obra, por sua força, dos contornos e figuras longas, que sempre impressionam.

3.1.2 – Dorothea Wiedermann

O Museu Oscar Niemeyer (MON) traz a exposição  “Dorothea Wiedemann, aqui ou em qualquer lugar”. São 51 trabalhos da artista alemã com raízes em Castro,  Dorothea Wiedemann, que viajou pelo mundo em busca de sua matéria-prima essencial: a natureza. Dorothea construiu uma obra baseada em sua percepção e curiosidade de todos os lugares do mundo que morou e visitou. Além disso, sua história de vida permeia toda a sua escolha de materiais, técnicas e estudos que fazem seu trabalho ter um cunho marcante e de grande sensibilidade.

Utilizou a xilogravura na maioria dos seus trabalhos e elegeu esta técnica para aprimorar-se. Acreditava que a madeira poderia ser trabalhada de maneira única, que cada uma tinha uma característica, uma personalidade. “Xilogravuras podem ser feitas em qualquer lugar”, dizia a artista. A catalogação do seu trabalho abrange 353 obras que pertencem ao acervo da Casa da Cultura Emília Erichsen. A curadoria é de Simone Landal, Christiani Vieira Strickert, Ilsemarie Hampf, Karina Marques e Ronie Cardoso Filho, reúne 51 obras, que estão expostas na Galeria Niemeyer.

3.1.3 – Poty Lazzarotto

“Poty, de todos nós reúne 800 itens da produção de um dos mais expressivos artistas do Paraná. A mostra, que tem curadoria de Oswaldo Miranda (Miran), ocupa o salão principal, o Olho, do Museu Oscar Niemeyer e reúne desde desenhos de infância, passando pelo material que ele produziu durante a temporada em que estudou na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, até gravuras e outros conteúdos que ele realizou ao longo de seu percurso. A exposição, que permanece em cartaz até 30 de setembro, conta com patrocínio da Volvo e da Copel.

Há materiais que nunca foram apresentados ao público, a exemplo de fotos que registram o convívio de Poty com a família e bilhetes e recados bem-humorados que o artista fazia para se comunicar com a sua esposa, Célia. A exposição também abre espaço às ilustrações feitas por Poty, para obras literárias, e para o trabalho que ele realizou com murais e vitrais. Além de estudos pouco conhecidos, como a viagem que realizou ao Xingu e os esboços para o desenvolvimento do livro “Curitiba, de nós”.

3.1.4 – João Filgueiras Lima

O percurso de um dos mais renomados arquitetos brasileiros, João Filgueiras Lima, o Lelé, é tema da exposição “A arquitetura de Lelé: fábrica e invenção”, que tem curadoria de Max Risselada e Giancarlo Latorraca, e museografia de Consuelo Cornelsen.

Carioca nascido em 1932, Lelé participou, quando tinha 25 anos, da equipe que construiu Brasília. Em 1967, um grave acidente automobilístico quase interrompeu a sua trajetória. Mas ele superou a adversidade e, a partir de então, repensou o fazer arquitetônico. Lelé passou a projetar hospitais, centros de reabilitações, além de outras edificações, sempre levando em consideração o bem-estar das pessoas.

Nesta exposição, que segue até 15 de julho, realizada pelo MON em parceria com o Museu da Casa Brasileira, será possível conhecer, por meio de maquetes, plotagens e audiovisuais, parte da obra de Lelé, que está presente em várias cidades, como Fortaleza, Ribeirão Preto, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Em Salvador, entre as muitas intervenções do arquiteto, destacam-se as passarelas. “São edificações nas quais o belo dialoga com a funcionalidade que facilita o ir e vir dos seres urbanos. Humanista, ele pensou no próximo, e isso faz toda a diferença”, afirma a diretora do Museu Oscar Niemeyer, Estela Sandrini.

Lelé também é considerado o artista da transparência. “Afinal, ele soube valorizar a luminosidade dentro das construções, inclusive a partir do uso do vidro. Diante de uma obra de Lelé, também somos iluminados por tonalidades, nuances e ideias, e nos transformamos”, completa Estela.

3.1.5 – Sérgio Camargo

Quarenta e seis obras, 26 delas tridimensionais, além de desenhos e estudos, compõem a exposição “Percurso escultórico”, de Sergio Camargo (1930-1990), com curadoria de Paulo Venancio Filho. Camargo é um dos mais premiados escultores brasileiros. Durante décadas de intensa atividade, submeteu a sua produção a júris, em salões e bienais, e foi reconhecido – no Brasil e no exterior. Participou da 4ª Bienal de São Paulo, em 1957, e do 9º Salão de Arte Moderna, em 1960. Realizou exposições na Itália, Venezuela, Nova York, Alemanha, França e outros países.

Nesta exposição, que segue até 26 de agosto, será possível acompanhar parte significativa da trajetória do artista. Desde as esculturas da década de 1960, os cilindros inclinados de madeira, passando pela produção dos anos 70, os chamados sólidos móveis em mármore, até as realizações de 1980, período no qual ele utilizou um tipo especial de mármore duro, o Negro-Belga.

3.1.6 – Mulheres no Acervo do MON

A exposição “Mulheres do Acervo MON” reflete sobre a eternidade da temática feminina. A representação da mulher é explorada em diversos momentos da História da Arte, desde a Pré-história, com a Vênus de Willendorf, passando pelas musas do Renascimento até as figuras inovadoras das “Demoiselles d’Avignon”, de Picasso.

Foi esse feminino e seu universo o estímulo para a seleção das obras desta mostra de acervo. Sem a pretensão de um recorte curatorial específico ou a preocupação com qualquer cronologia ou gênero, a exposição, montada pela equipe técnica do museu, reúne 59 trabalhos de diversas linguagens e técnicas.

Entre os artistas que compõem a exposição destacam-se Iberê Camargo, Torres Garcia, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Letícia Marquez e a paranaense Helena Wong.

3.2 – Biografias Pesquisadas.

3.2.1 – Amedeo Modigliani

Amedeo Clemente Modigliani (Livorno, 12 de julho de 1884 — Paris, 24 de janeiro de 1920) foi um artista plástico e escultor italiano que viveu em Paris.

Artista principalmente figurativo, tornou-se célebre sobretudo por seus retratos femininos caracterizados por rostos e pescoços alongados, à maneira das máscaras africanas.

Modigliani nasceu em uma família judia, em Livorno, Itália.

Seu trisavô materno, Solomon Garsin, emigrara de Túnis para Livorno no século XVIII. Os Garsin eram originários da Espanha, de onde haviam sido expulsos, no final do século XV, transferindo-se para Túnis. Depois eles se transferiram para Livorno, onde nasceu o bisavô materno de Amedeo Mogigliani, Giuseppe Garsin – filho de Salomon Garsin e de Régine Spinoza.

Já a família paterna, os Modigliani, era provavelmente oriunda de Modigliana, perto de Forli, na região da Romagna. Antes de se estabelecerem em Livorno, teriam vivido em Roma, onde exploravam uma casa de penhores. Segundo Jeanne Modigliani, um certo Emanuele Modigliani teria sido encarregado pelo governo pontifical de fornecer o cobre necessário às emissões extraordinárias de moedas dos dois ateliês pontificais. Posteriormente, não obstante uma lei dos Estados Pontifícios que proibia a posse de terras por judeus, Emmmnuele teria adquirido um vinhedo nas encostas do Albani, sendo, logo em seguida, obrigado pelas autoridades a se desfazer da vinha. Inconformado, ele teria então deixado Roma, com toda a sua família, para se instalar em Livorno, em 1849. Naquele mesmo ano, Giuseppe Garsin, depois de sofrer sérios reveses nos negócios, decide deixar Livorno e partir , com a mulher, Anna Moscato, e o filho, Isaac, para Marselha onde foi bem-sucedido.

Amedeo Modigliani foi o quarto filho de Flaminio Modigliani e sua esposa Eugénie Garsin, filha de Isaac e Régine Garsin. Na época, os Garsin eram relativamente abastados – sobretudo um dos irmãos de Eugénie, Amédée Garsin, que enriquecera especulando com imóveis e mercadorias. Já os Modigliani tinham empobrecido, chegando à falência. Flaminio dedicava-se aos vários negócios da família, que incluíam mineração e agricultura na Sardenha, além de atividades comerciais em Livorno. Mas os negócios andaram mal. Foi o nascimento de Amedeo que salvou a família da ruína total, pois, de acordo com uma lei antiga, os credores não podiam tomar a cama de uma mulher grávida ou de uma mãe com um filho recém-nascido. Os oficiais de justiça entraram na casa da família, justamente quando Eugénie entrou em trabalho de parto. A família então protegeu seus pertences mais valiosos colocando-os por cima da cama da parturiente.

Na infância, Amedeo sofreu de diversas doenças graves – pleurisia, tifo e tuberculose -, que comprometeram sua saúde pelo resto da vida e cujo tratamento forçava-o a constantes viagens, até sua mudança definitiva para Paris, em 1906. Também por causa da saúde precária não recebeu educação formal e voltou-se para o estudo da pintura, iniciado na cidade natal, que prosseguiu em Veneza e Florença. Teve uma estreita relação com sua mãe, que lhe deu aulas até que ele completasse dez anos, e começou a desenhar e pintar precocemente, antes mesmo de ir para a escola. Aos quatorze anos, durante uma crise de febre tifóide, ele delirava e, em seu delírio, falava que queria acima de tudo ver as pinturas no Palazzo Pitti e nos Uffizi, em Florença. Sua mãe então prometeu a ele que, assim que se recuperasse, ela o levaria a Florença; de fato, não só cumpriu a promessa como permitiu que o filho fosse trabalhar no estúdio de Guglielmo Micheli, um dos pintores mais conhecidos de Livorno, de quem Amedeo recebe as primeiras noções de pintura. No ateliê de Micheli, ele conhecerá, em 1898, o grande Giovanni Fattori, sendo assim influenciado pelo movimento dos Macchiaioli, em particular pelo próprio Fattori e por Silvestro Lega.

Em 1906, Modigliani transfere-se para Paris e, ao fim de três anos de vida boêmia, executa uma de suas obras mais importantes: O violoncelista, que expôs no Salão dos Independentes de 1909.

Como outros pintores e artistas do seu tempo, viveu a experiência da extrema pobreza. Por meio dos companheiros de arte, conheceu o poeta polaco Leopold Zborowski, que se tornaria seu melhor e mais devotado amigo, além de incentivador e marchand. Em 1917, Zborowski consegue para Modigliani uma exposição individual na Gallerie Berthe Weill. A exposição durou apenas um dia, pois se transformou num escândalo graças aos nus expostos na vitrine da galeria.

A grande musa de Amedeo foi Jeanne Hébuterne, com quem teve uma filha, Jeanne, em 1918. Complicações na saúde fazem o pintor viajar para o sul da França com a esposa e a filha, a fim de recuperar-se. Retorna a Paris ao final de 1918.

Na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 35 anos, Modigliani morre de tuberculose. Foi sepultado no famoso Cemitério do Père-Lachaise, em Paris.

No dia seguinte à morte do companheiro, Jeanne, grávida de nove meses, suicida-se, atirando-se do quinto andar de um edifício.

Estilo

Fruto de diversas culturas, amigo de tantos artistas e encontrando-se numa conturbada fase de questionamentos e transições, sua obra entretanto não pode ser considerada filiada a nenhuma escola, sendo toda ela dotada de um estilo próprio e autônomo.

Seus nus, que provocaram escândalo em seu tempo, revelam não sensualidade, mas um desnudamento da alma humana. Seu estilo faz parte de um momento em que a arte pictórica, confrontada à fotografia, lutava para manter seu espaço, seus valores e sua estética.

Esculturas

O encontro com o escultor Constantin Brancusi marcou a carreira de Modigliani, que por um longo período abandonou a pintura pela escultura. Impressionado pelo cubismo, muito influenciado por Cézanne, Toulouse-Lautrec e Picasso, o artista executou nesse período esculturas nas quais se misturam influências da escola de Siena e da arte da África negra, sobretudo das esculturas do Congo e do Gabão. Nota-se em suas esculturas uma forte influência da arte africana e cambojana, que provavelmente conhecera no Musée de l’Homme. Seu interesse pelas máscaras africanas é evidente no tratamento dos olhos de seus modelos.

A partir de 1912, com o agravamento de sua doença, Modigliani abandona a escultura, concentrando-se apenas na pintura.

3.2.2 – Poty Lazzarotto

Napoleon Potyguara Lazzarotto, conhecido simplesmente como Poty (Curitiba, 29 de março de 1924 — Curitiba, 8 de maio de 1998) foi um desenhista, gravurista, ceramista e muralista brasileiro.

Filho dos italianos Issac Lazzarotto e Julia Tortato Lazzarotto, começou a se interessar por desenho ainda bem criança. O seu pai era ferroviário e a sua mãe mantinha um restaurante na cidade, o “Vagão do Armistício”, muito freqüentado por intelectuais paranaenses.

O pai de Poty perdeu um dos braços, devido a um acidente, e para ajudar no orçamento familiar procurava peças de alumínio que eram modeladas em quadros da Santa Ceia, para vender. Poty e seus amigos de infância freqüentavam o barracão de seu pai, para ajudar a mover o fole. O barracão que o pai ergueu frente a sua casa, em Curitiba, passou a se chamar “Vagão do Armistício”, tornando-se um restaurante desde 1937, sob os cuidados de sua mãe. O governador do Paraná, Manuel Ribas, freqüentava o restaurante e, em 1942, premiou Poty com uma bolsa de estudos na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Em 1938, com 14 anos de idade, Poty publicou no jornal Diário da Tarde a história “Haroldo, o Homem Relâmpago”, em 6 capítulos.

Em 1943, Hermínio da Cunha César convida Poty para ilustrar seu livro “Lenda da Herva Mate Sapecada”, no Rio de Janeiro. Foi o primeiro livro ilustrado por Poty e publicado.

Em 1946, Dalton Trevisan cria a revista “Joaquim”, e Poty participa de todos os números, seja com ilustrações, notícias do mundo das artes visuais e/ou comentários sobre arte enviadas da Europa. A “Joaquim”, que é editada até 1948, representa uma revolução cultural no Estado do Paraná, tanto no sentido de transformação da literatura, via Dalton, quanto da sua linha editorial, crítica e renovadora como informação e como linguagem. A “Joaquim” representa a primeira conexão do Paraná com outros centros da federação, que publicam na revista seus textos críticos e ensaios, bem como autores estrangeiros nas mais diversas áreas do conhecimento.

Da Europa, graças a uma bolsa de estudos do francês, Poty tem contato com a técnica litográfica, em permanente contribuição à “Joaquim”. Voltou ao Brasil em 1948, indo trabalhar no jornal Manhã, de Samuel Wainer, realizando ilustrações para vários jornais do Rio de Janeiro.

Ao longo de sua vida, trabalhou principalmente com desenhos, gravuras, murais, serigrafia, litografia.

Os murais são representativos de sua obra, embora tenha sido o desenho o seu principal veículo de expressão, notadamente as ilustrações que realizou para os mais diversos autores, destacando-se entre esses Dalton Trevisan, considerado o maior contista brasileiro. Em sua execução, Poty empregava materiais diversos, como madeira, vidro (vitrais), cerâmica, azulejo e concreto aparente, esse último um de seus materiais de predileção.

Há obras de Poty espalhadas por diversas cidades do Brasil e do exterior, incluindo murais em Portugal, na França e na Alemanha.

Suas obras também podem ser vistas em diversos locais públicos de Curitiba, como os painéis do pórtico do Teatro Guaíra, no saguão do Aeroporto Afonso Pena, na Praça 29 de Março, na Praça 19 de Dezembro (Curitiba) e na Torre da Telepar.

Faleceu de câncer no pulmão, em 1998. Estava trabalhando, então, em um painel encomendado para a Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu. Seu último trabalho foi a ilustração para um cartaz encomendado pelo Hospital de Clínicas, em Curitiba, para sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de doações. Foi sepultado no Cemitério Municipal do Água Verde, em Curitiba.

3.2.3 – Oscar Niemeyer

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1907) é um arquiteto brasileiro, considerado um dos nomes mais influentes na Arquitetura Moderna internacional. Foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do concreto armado.

Filho de Oscar de Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida, Oscar Niemeyer nasceu no bairro de Laranjeiras, na rua Passos Manuel, que receberia no futuro o nome de seu avô Ribeiro de Almeida, ministro do Supremo Tribunal Federal. Niemeyer foi profundamente marcado pela lisura na vida pública do avô, que como herança os deixou apenas a casa em que morava e cuja regalia era uma missa em casa aos domingos.

Niemeyer passa a sua juventude sem preocupações e na boêmia, frequentando o Café Lamas, o clube do Fluminense e a Lapa. Em suas palavras: “parecia que estávamos na vida para nos divertir, que era um passeio.

Em 1928, aos 21 anos, casou-se com Anita Baldo, 18 anos, filha de imigrantes italianos da província de Pádua. A cerimônia de casamento na igreja do bairro atendeu aos desejos da noiva. “Casei por formalidade. Mais católica do que minha esposa é impossível, então não me incomodei em casar dessa forma”. O casamento foi no mesmo ano da formatura no ensino médio. O casal teve somente uma filha, Anna Maria Niemeyer, que deu cinco netos, treze bisnetos e quatro trinetos ao arquiteto. Anna Maria faleceu no dia 6 de junho de 2012, aos 82 anos.

Casado, Oscar troca a vida boêmia pelo trabalho na tipografia do pai. Resolve retomar os estudos. Em 1929 ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, de onde saiu formado como arquiteto e engenheiro, em 1934.

Desde sempre idealista, mesmo passando por dificuldades financeiras, decide trabalhar sem remuneração no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. Não lhe agradava a arquitetura comercial vigente e viu no escritório de Lúcio Costa uma oportunidade para aprender e praticar uma nova arquitetura.

Viúvo desde 2004, casou em novembro de 2006 com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos.

Até 23 de setembro de 2009, quando foi internado, passando em seguida por duas cirurgias, para retirada da vesícula e de um tumor do cólon, o arquiteto costumava ir todos os dias ao seu escritório em Copacabana, onde trabalhava no projeto Caminho Niemeyer, em Niterói, um conjunto de nove prédios de sua autoria. Até outubro de 2009, Niemeyer permaneceu internado no mesmo hospital, no Rio de Janeiro. Em 25 de abril de 2010, foi novamente internado, apresentando um quadro de infecção urinária. O arquiteto deveria participar do lançamento da edição especial da revista “Nosso Caminho”, no dia 27 de abril, em homenagem aos 50 anos de Brasília. A festa foi cancelada.

A luta política é uma das questões que sempre marcaram a vida e obra de Oscar Niemeyer. Em 1945, já um arquiteto conhecido, conheceu Luís Carlos Prestes e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Niemeyer emprestou a Prestes a casa que usava como escritório, para que este montasse o comitê do partido. Sempre foi um forte defensor de sua posição como stalinista. Durante alguns anos da ditadura militar do Brasil autoexilou-se na França. Um ministro da Aeronáutica da época diria que “lugar de arquiteto comunista é em Moscou”.

Visitou a União Soviética, teve encontros com diversos líderes socialistas e foi amigo de alguns deles. Em 2007 presenteou Fidel Castro com uma escultura de caráter antiamericano: uma figura monstruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Em seu discurso de 2007, onde Fidel fala em aposentadoria, faz referência ao amigo Niemeyer: “Penso, como o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que se deve ser consequente até o final”. Esta frase foi repetida em sua carta de renúncia de 18 de fevereiro de 2008.

Tem fama de ser desapegado de dinheiro e pródigo, de ter doado diversos projetos e não ter acumulado fortuna.

Os projetos arquitetônicos de Niemeyer, custam altas cifras ao Estado: em 2007, cobrou 7 milhões de reais pelo projeto da nova sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, tendo sua empresa recebido 33,5 milhões de reais do governo federal, entre 1996 e 2008, apenas por projetos de obras em Brasília.

Dada a preferência pelo concreto armado e o desenvolvimento das inúmeras possibilidades fornecidas pelo mesmo, as obras de Niemeyer contaram com a fundamental parceria dos engenheiros Joaquim Cardozo (1897-[1978) e José Carlos Sussekind (1947), sendo o primeiro responsável pelo cálculo da maioria das obras da construção de Brasília e o segundo pelas obras da década de 70 até a atualidade. Juntos, Oscar Niemeyer e José Carlos Sussekind publicaram em 2002 o livro Conversa de Amigos - Correspondência entre Oscar Niemeyer e José Carlos Sussekind, uma coletânea das cartas trocadas entre os amigos desde março de 2001 até o início de 2002, onde falam de assuntos diversos: desde arquitetura e engenharia à literatura, filosofia e atualidade política.

Seu primeiro projeto individual a ser construído foi a Obra do Berço, em 1937, no bairro da Lagoa, Rio de Janeiro. Neste edifício nota-se a presença dos elementos defendidos na arquitetura moderna e a influência do arquiteto francês Le Corbusier: o pilotis, a planta livre, a fachada livre, possibilitando a abertura total de janelas na fachada, o terraço-jardim e o brise-soleil, pela primeira vez utilizado na vertical. Durante a construção, o arquiteto estava fora do Brasil e, ao retornar, encontrou o brise instalado de forma inapropriada, sem proteger o interior contra a insolação. Sendo assim, Niemeyer, que nada havia cobrado pelo projeto, pagou pela execução do brise na forma em que havia projetado. O prédio da Obra do Berço foi inaugurado em 1938 e em 2012 a instituição ainda o ocupa.

Em 1936, o escritório onde Niemeyer trabalhava como estagiário, dirigido por Lúcio Costa e Carlos Leão, foi chamado pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (que anulara o concurso público ganho por Archimedes Memoria), para projetar o novo edifício do Ministério da Educação e Saúde.Este projeto estava inserido no contexto político do Estado Novo, quando Getúlio Vargas, presidente do Brasil, usava a arquitetura e o urbanismo como ferramentas para ilustrar os novos rumos da nação em uma fase intermediária, que buscava se transformar de potência agrícola exportadora de café em um país industrializado.

Lúcio Costa pediu assessoria ao arquiteto franco-suíço Le Corbusier, um dos grandes expoentes mundiais do Movimento Moderno e montou uma equipe de arquitetos para o desenvolvimento do projeto: Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira, Carlos Leão e Niemeyer. O projeto segue os 5-pontos corbusianos, já realizados no Pavilhão Suíço, um prédio de apartamentos em Paris projetado por Le Corbusier em 1930. O edifício do MEC, terminado em 1943, eleva-se da rua apoiando-se em pilotis: sistema de pilares de concreto que mantém o prédio "suspenso", permitindo o trânsito livre de pedestres por baixo do mesmo (um espaço público de passagem). O prédio uniu os maiores nomes do modernismo brasileiro, com azulejos de Portinari, esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins de Roberto Burle Marx e é considerado o primeiro grande marco da Arquitetura Moderna no Brasil.

Em 1939, Niemeyer viaja com Lúcio Costa para projetar o Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova Iorque de 1939-40. Associam-se ao escritório de Paul Lester Wiener, responsável pelo detalhamento dos interiores e stands de exposição. Em uma época em que a Europa e os Estados Unidos estavam concentrando suas potências industriais na Segunda Guerra Mundial, o Brasil estava investindo em arquitetura, o que lhe colocou na vanguarda da Arquitetura Modernista internacional, onde ainda permaneceu por várias décadas, graças em boa parte ao talento de Oscar Niemeyer.

Em meados da década de 50, Oscar Niemeyer atuou, ainda que brevemente, no mercado imobiliário de São Paulo, para o Banco Nacional Imobiliário (BNI). Os edifícios Montreal, Triângulo, Califórnia e Eiffel são fruto de seu escritório montado em São Paulo neste período, sob supervisão do arquiteto Carlos Lemos, também responsável pela finalização e acompanhamento da execução do Copan. Na mesma época, Niemeyer também projetou o Edifício Itatiaia, em Campinas.

No Rio de Janeiro, projeta em 1954 a Casa Edmundo Cavanelas, em Petrópolis, que foi usada para ambientação da minissérie Queridos Amigos (rede Globo) exibida em 2008. A casa possui uma cobertura apoiada nas quatro extremidades, que lembra um lençol ou uma tenda, de concreto. Ainda em 1954 projetou, sob encomenda de Juscelino, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte, inaugurada em 1961. Projetou a Escola Estadual Governador Milton Campos em Belo Horizonte, mais conhecida como Colégio Estadual Central, inaugurada em 1956, cujo conjunto foi tombado pelo Patrimônio Histórico de Minas Gerais.

Em 1955, funda a revista Módulo, no Rio de Janeiro, uma das mais importantes revistas de arquitetura, urbanismo, arte e cultura da década de 50. Sua produção foi proibida pela ditadura militar em [1965 e só voltou a circular em 1975.

Juscelino Kubitschek, eleito presidente do Brasil em 1956, volta a entrar em contato com Niemeyer, desta vez com um projeto político mais ambicioso: mover a capital nacional para uma região despovoada no centro do país. Assim, Juscelino o chama para a direção da Novacap, empresa urbanizadora da nova capital.

Em 1957, Niemeyer abre um concurso público para o plano piloto da nova capital Brasília. O projeto vencedor é o apresentado por Lúcio Costa, seu amigo e ex-patrão. Niemeyer, arquiteto escolhido por Juscelino, seria responsável pelos projetos dos edifícios, enquanto Lúcio Costa desenvolveria o plano da cidade.

Brasília foi um grande desafio; a cidade foi construída na velocidade de um mandato, e Niemeyer teve de planejar uma série de edifícios em poucos meses para configurá-la. Entre os de maior destaque estão a residência do Presidente (Palácio da Alvorada), o Edifício do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios, a sede do governo (Palácio do Planalto) além de prédios residenciais e comerciais.

A determinação de Kubitschek foi fundamental para a construção de Brasília, levando para frente sua intenção de desenvolver o centro despovoado do Brasil (a exemplo da marcha do oeste norte-americana): povoar o interior e levar o progresso Brasil adentro.

O projeto de Lúcio Costa, vencedor do concurso, punha em prática os conceitos modernistas de cidade: o automóvel no topo da hierarquia viária, facilitando o deslocamento na cidade, os blocos de edifícios afastados, em pilotis sobre grandes áreas verdes. Brasília possui diretrizes que remetem aos projetos de Le Corbusier na década de 1920 e ainda ao seu projeto para a cidade de Chandigarh, pela escala monumental dos edifícios governamentais. A cidade de Lúcio Costa também possui conceitos semelhantes aos dos estudos de Hilberseimer.

Nesta nova cidade projetada, levou-se em conta o ideal socialista, onde todas as moradias pertenceriam ao governo e seriam utilizadas pelos funcionários públicos. Nesta visão, todos os funcionários, fossem serventes ou parlamentares, deveriam habitar os mesmos prédios.

A construção de Brasília foi controversa; os preceitos do urbanismo modernista já sofriam críticas antes mesmo do início de sua construção, devido a sua escala monumental e à prioridade dada ao automóvel. Brasília cresceu de forma não prevista e cidades-satélite surgiram para acomodar a crescente população. Atualmente, apenas uma pequena parcela dos habitantes do Distrito Federal habita na área prevista pelo plano piloto de Lúcio Costa.

Em 22 de novembro de 2002 foi inaugurado o complexo que abriga o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Por sua forma inusitada, o museu é popularmente chamado de Museu do Olho. Abriga diversas exposições ao longo do ano e traz milhares de turistas do Brasil e do exterior. O Museu preza por sua arquitetura moderna, representando originalmente um pinheiro (segundo Niemeyer).

Niemeyer completou em 2007 o centésimo aniversário perfeitamente lúcido e ativo. Neste mesmo ano, no dia 12 de dezembro, recebeu a mais alta condecoração do governo francês pelo conjunto de sua obra, o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, conferiu-lhe a condecoração da Ordem da Amizade no dia 14 de dezembro.No mesmo ano de 2007 o Iphan tombou 35 obras do arquiteto, das quais 24 foram selecionadas pelo próprio Niemeyer.

Fora do Brasil, em 2007, o arquiteto iniciou as obras do seu primeiro projeto na Espanha: um centro cultural com o seu nome, Centro Niemeyer, em Avilés, Astúrias. Este projeto foi oferecido à Fundação Príncipe das Astúrias como agradecimento pela condecoração que Niemeyer recebeu, em 1989 (Prémio Príncipe das Astúrias das Artes). Do projeto consta de cinco peças separadas e complementares: praça, auditório, cúpula, torre e um edifício polivalente. Foi inaugurado na Primavera de 2011.

Ainda em 2007, ano de comemoração do seu centenário, Oscar Niemeyer aceitou ser presidente de honra do Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais CEPPES, centro de estudos fundado por Luís Carlos Prestes.

Havia projetado um balneário para Potsdam, na Alemanha, com inauguração marcada para 2007, cujas obras foram canceladas antes do início da edificação devido às suas dimensões faraônicas.

Em dezembro de 2007 foram iniciadas as obras do complexo da Cidade Administrativa de Minas Gerais, no bairro Serra Verde, região norte de Belo Horizonte. O projeto do complexo arquitetônico do Centro Administrativo previa a construção de uma praça cívica e cinco edificações: a Sede do Governo de Minas Gerais, duas torres com 15 andares, um auditório, e um centro de convivência em uma área de 804 mil metros quadrados. O término das obras se deu em março de 2010. Oscar Niemeyer é autor de quinze obras na cidade, incluindo esta em construção.

Ainda 2007 Niemeyer fora convidado para redesenhar o prédio do Detran, de sua autoria, em São Paulo, que abrigará o novo MAC da USP. No entanto, devido à grande intervenção proposta, o projeto foi vetado pelo Conpresp em abril de 2009. Orçada em 120 milhões, a reforma proposta por Niemeyer ficaria além da verba disponível.

O Museu Pelé orçado em R$ 20 milhões já começou a ser construído na cidade de Santos no litoral do Estado de São Paulo. A obra é mais um projeto de Oscar Niemeyer. A previsão é que as obras terminem em 2012. A inspiração foi pelo pulo do jogador de futebol Pelé com o braço levantado, refletindo como símbolo do monumento. O jogador costumava comemorar seus gols dessa forma.

O acervo vai agregar mais de três mil peças, inclusive uma réplica da taça do mundial de 1970, a Taça Jules Rimet.

4. METODOLOGIA

Pouco depois das dez horas da manhã do sábado, dia 25 de agosto de 2012, já em posse de nossos bilhetes de entrada, nos dirigimos para o portão de entrada do Museu Oscar Niemeyer.

Seguimos direto para o 1º andar, onde nos deparamos com a exposição de João Filgueiras Lima, chamada de “A Arquitetura de Lelé: fábrica e invenção”, onde observamos, através de maquetes, plotagens e audiovisuais, um pouco de sua obra, presente em várias cidades do Brasil.

Dali fomos para a sala nº 7, onde percorremos a exposição “Modigliani – Imagens de uma vida” que reúne 59 peças, entre desenhos, pinturas, esculturas em bronze e documentação pessoal, além de obras de outros artistas que conviveram com Modigliani no início do século 20.

Saindo da sala 7 fomos para a sala nº 9, onde vimos a exposição “Mulheres no Acervo MON”. Entre os artistas que compõem a exposição destacam-se Iberê Camargo, Torres Garcia, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Letícia Marquez e a paranaense Helena Wong.

Passamos pela sala 5, onde se encontra o “Percurso Escultórico” de Sergio Camargo. Quarenta e seis obras, 26 delas tridimensionais, além de desenhos e estudos, compõem a exposição.

Dalí, descemos para o subsolo, onde nos deparamos com o Espaço Niemeyer, que reflete o estímulo conceitual que anima o arquiteto Oscar Niemeyer em seus projetos, também exemplificado nas formas que deu personalidade ao Museu que leva seu nome.

Do espaço Niemeyer fomos direto para o anexo externo, conhecido com Olho. Ali nos deparamos com a exposição “Poty, de todos Nós”. Exposição que reúne 800 itens da produção de um dos mais expressivos artistas do Paraná. A Coleção apresenta desde desenhos de infância, passando pelo material que ele produziu durante a temporada em que estudou na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, até gravuras e outros conteúdos que ele realizou ao longo de seu percurso.

Após deixarmos o Olho, fomos para a Galeria Niemeyer, onde pudemos admirar “Dorothea Wiedemann, aqui ou em qualquer lugar”.Com51 trabalhos da artista alemã com raízes em Castro,  que viajou pelo mundo em busca de sua matéria-prima essencial: a natureza. Construiu uma obra baseada em sua percepção e curiosidade de todos os lugares do mundo que morou e visitou. Além disso, sua história de vida permeia toda a sua escolha de materiais, técnicas e estudos que fazem seu trabalho ter um cunho marcante e de grande sensibilidade.

Utilizou a xilogravura na maioria dos seus trabalhos e elegeu esta técnica para aprimorar-se. Acreditava que a madeira poderia ser trabalhada de maneira única, que cada uma tinha uma característica, uma personalidade.

Por volta de meio dia e quinze, deixamos o Museu Oscar Niemeyer.

5. RESULTADOS E ANÁLISES

Durante as pesquisas e a visitação pudemos observar uma parte da História da Arte, que infelizmente não é divulgada, ou se é, apenas uma pequena parte da população tem interesse em conhecer.

Nomes como Pablo Picasso, Modigliani, Poty Lazzarotto, são pouco conhecidos fora de uma esfera da população que não seja voltada para as artes.

Ao perguntar para alguns jovens, entre 12 e 16 anos, se conheciam Picasso, a grande maioria achou que eu me referia a um carro. Acharam, também, que Modigliani era uma espécie de comida típica italiana.

Esses mesmos jovens sabiam onde se localiza o MON, mas poucos tinham ido até lá, e assim mesmo, foi numa excursão escolar e não se lembram do que viram.

Definitivamente, esses fatos devem ser levados em conta numa próxima análise de currículo escolar.

6. CONCLUSÃO

Perguntas como “O que o artista quis transmitir com determinada obra?” deveriam ser abolidas da cultura popular e das salas de aula. Pois, a não ser que convivêssemos com o artista, jamais saberíamos a resposta.

A busca pelo conhecimento através das obras de arte deveria ser feita de uma forma mais dinâmica. Analisando os traços, as características de cada uma, não a motivação do autor. Deveria ser feita com a análise de uma obra, não de várias.

O que as obras vistas na visita transmitiram?

Com exceção da estrutura arquitetônica do Museu, obra de Niemeyer, que realmente impressionou com suas curvas e sua noção de espaço, as demais obras em nada chamaram a atenção.

Talvez uma overdose de “Óleos sobre Telas” tenha contribuído para o desinteresse depois de algumas observações. Ou talvez um pouco mais de tempo, para uma prévia pesquisa antes da visita, pudesse ter melhor preparado esse aluno de Multimeios Didáticos para o que deveria ser observado.

REFERÊNCIAS

CORONA, Eduardo. Oscar Niemeyer – Uma lição de arquitetura. Editora : FUPAM – Fundação para a Pesquisa Ambiental. 2001.

DAVIS, Mick. Modigliani – A Paixão pela Vida. [Filme-vídeo]. Produção de André Dejaoui, direção Mick Davis. 2004. DVD. 128 min. Colorido. Sonorizado.

LAZZAROTTO, Poty. In. MON Museu Oscar Niemeyer. Disponível em: http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/potysite.html

LAZZAROTTO, Poty. In. Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Poty_Lazzarotto

LIMA, João Filgueiras. In. MON Museu Oscar Niemeyer. Disponível em: http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/lelesite.html

MODIGLIANI, Amedeo. In. Wikipedia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Amedeo_Modigliani.

MODIGLIANI, Amedeo. In. MON Museu Oscar Niemeyer. Disponível em: http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/modiglianisite.html

WIENERMANN, Dorothea. In. MON Museu Oscar Niemeyer. Disponível em: http://www.museuoscarniemeyer.org.br/exposicoes/dorotheasite.html

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